Representantes dos países que compõem a RedLat se reúnem em São Paulo

Nos dias 27 e 28 de setembro, participantes da Rede Latino-Americana de Pesquisas em Empresas Multinacionais estiveram reunidos no Hotel Marabá, em São Paulo, para discutir questões teóricas e práticas referentes ao trabalho que vem sendo executado em conjunto pelos sete países envolvidos: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru e Uruguai. O encontro foi organizado pelo Instituto Observatório Social que atualmente atua como secretaria executiva da rede, com o objetivo de discutir a segunda fase do projeto de pesquisa sobre Terceirização. Estiveram presentes representantes de institutos de pesquisas e centrais sindicais dos países que compõem a RedLat.

O projeto pretende criar, a partir de um panorama da situação dos países membros da RedLat, uma metodologia que possibilite estudos setoriais sobre a Terceirização nos países que compõem a rede e indicadores que possam permitir a coleta de dados e nortear o processo investigativo nos setores mais afetados em cada país. Os indicadores também vão permitir a combinação das análises com indicadores de trabalho decente.

Os participantes definiram estratégias para a segunda etapa do projeto. Os setores que poderão ser pesquisados por cada país foram definidos a partir de casos apontados na reunião, disponibilidade de dados e possibilidade de articulação com os setores sindicais para facilitar o acesso às informações. Foi feita uma distribuição dos setores entre os países, que farão uma análise prévia das condições para a pesquisa. A Argentina ficou responsável pelos setores de siderurgia, comércio e telecomunicações, o Chile pela mineração, o Peru pelos setores de telecomunicações e petróleo, a Colômbia pelo setor bancário, o Brasil pelo florestal e petróleo, o México pelo e o Uruguai pelo florestal e público. A decisão será tomada nos próximos dias.

Para Giovanna Larco, do Plades (Programa Laboral de Desenvolvimento), ONG peruana dedicada aos temas de emprego e organizações trabalhistas, “o encontro foi bastante positivo porque deixou as orientações técnicas e políticas do projeto muito mais claras”. Ela ainda ressaltou a importância de os países compartilharem estudos e condutas das empresas multinacionais.

Eduardo Adrian Minajovsky, da CTA (Central de Trabalhadores da Argentina) e do CEFS/LASOS (Centro de Estudos e Formação Sindical), da Argentina, avalia que é muito importante construir políticas comuns com os companheiros latino-americanos. “As organizações que necessitam de cooperação internacional estão passando por um momento muito difícil. Precisamos unir forças com um sentimento de construção coletiva para enfrentar a situação”, afirmou.

Carlos Cachón, da Plenario Intersindical de Trabalhadores (PIT) e Convenção Nacional Trabalhadores (CNT) e do Instituto Cuesta Duarte, do Uruguai, ressaltou que a rede é um instrumento muito importante para as organizações sindicais construírem modelos alternativos de organização sindical, negociação coletiva e diálogo social.

A próxima reunião sobre o projeto será realizada nos dias 13 e 14 de dezembro em Buenos Aires, quando serão apresentados os resultados preliminares da pesquisa e discutidos os próximos passos da rede.

A RedLat, que foi criada em outubro de 2005, reúne sindicatos e instituições de pesquisa sobre o mundo do trabalho com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre o comportamento social e trabalhista das empresas multinacionais e utilizar as informações coletadas para impulsionar a ação sindical. Fazem parte das suas atividades monitorar acordos marco globais e promover alianças sindicais regionais por ramo de atividade ou empresa.